Professor Guerrinha
Treinador da Seleção Brasileira de Handebol de Areia e campeão mundial em 2006.
Data: Outubro de 2007 - Local: Petrópolis - RJ
1- O que você acha do atual handebol do Brasil, não só o de areia, mas também o indor?
O Handebol brasileiro teve um notório desenvolvimento nos últimos anos. Contribuiu para esse desempenho a instituição da Lei Piva, onde cada modalidade recebe verba destinada pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Em outra direção, podemos afirmar que o patrocínio da Petrobrás, uma das maiores empresas do mundo, selou o nosso crescimento. Todo esse apoio nos colocou em 6º lugar no ranking da Federação Internacional de Handebol. Essa colocação deve-se a nossa participação em todas as competições nos dois naipes. O handebol feminino já se destaca entre as grandes potências e o masculino caminha para encontrar seu espaço entre equipes de primeira linha. Na areia somos os atuais campeões mundiais masculino e feminino.
2- O handebol do Rio de Janeiro tem alguma perspectiva?
Quando se chega ao fundo do poço, como acredito que estejamos, sempre existe esperança de melhora. Precisamos de uma guinada total. Precisamos de apoio político e empresarial. Precisamos organizar e modernizar nossa federação. Mas para isso temos que nos conscientizar de nosso papel. Os clubes têm que honrar suas responsabilidades financeiras. As equipes têm que cumprir o regulamento. Os atletas têm que ser educados a zelar pela modalidade. Hoje somos mister em criticar o atual presidente, mas poucos cumprem a sua parte no processo.
3- O handebol de areia, em que pese o campeonato mundial nos dois naipes, carece de visibilidade. No seu entendimento, o que é preciso fazer para acabar com essa distorção?
Desporto vive de resultado. Isso nós temos de sobra. Porém, a modalidade é muito nova e firmou-se primeiro nas seleções. Nesse momento ela está chegando aos clubes e associações. É necessário um tempo para que ela vença o caráter recreativo de verão, e ganhe espaço na mídia. É um trabalho de longo prazo e precisamos que os detentores do poder encarem a modalidade como mais um produto, e não como mais um problema.
4- Como treinador e dirigente da Confederação, o que você acha da democratização dos trabalhos realizados nas divisões de base das seleções, como forma de unificar as atividades realizadas nos clubes brasileiros e, ao mesmo tempo, facilitar o trabalho de técnicos de seleções futuras?
Vivemos em um país continental. Portanto, sempre que propomos uma ação que envolve “confederação”, devemos lembrar de ações grandiosas que demandam muitos recursos. Porém, em forma de cursos e encontros nacionais, essa política é realizada. O problema é atingir todos os profissionais que trabalham com a modalidade. O que realmente definiria essa situação seria a escola nacional de técnicos, um sonho que não está distante de acontecer.
5- Quando será o próximo Pan-americano e Mundial de Handebol de Areia?
No mês de fevereiro estaremos no Uruguai para disputar o 4º Pan-americano da modalidade. Essa competição vale uma vaga para o 3º Mundial na Espanha em julho. Como o Brasil é o atual campeão, o continente participará com dois países em cada naipe. Nossa preparação começará em janeiro e em março a seleção se tornará permanente até o mundial.
Mini-Currículo
• Licenciatura e Bacharelado em Educação Física. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, UFRJ
• Mestrado em Educação e Desenvolvimento Humano. Universidade Estácio de Sá, UNESA, Brasil. Título: O Incremento do Handebol como Desporto Educacional e de Rendimento: Problemas, Expectativas e Propostas, Ano de Obtenção do Título: 2003.
• 32 anos de Magistério
• Rede Pública Municipal Petrópolis (concurso) 1986 – 1994
• Rede Pública Estadual Rio de Janeiro (concurso) 1985 – 1995
• Rede Particular Petrópolis/Rio de Janeiro 1976 - 1996
• Professor da Rede Pública Federal – Colégio Militar do Rio de Janeiro (concurso) 1994 -
• Professor Universitário – Universidade Estácio de Sá UNESA 1994 - 2007
• Técnico da Seleção Brasileira de Handebol de Areia CBHb – 1998 -
• Campeão Mundial de Handebol de Areia – Brasil/2006
• Tricampeão Pan-Americano de Handebol de Areia – 1998/1999/2001
• 3º Colocado no World Games de Akita/Japão – 2001
• Técnico de Inúmeras Equipes de Handebol Indoor – Rio de Janeiro
• Campeão da Liga Nacional Feminina 1999/2000 – Clube Esportivo Mauá
• Vice Campeão da Liga Nacional Feminina 2000/2001 – Clube Esportivo Maúa
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